Num mundo paralelo, expectativas não atendidas, decidir o futuro


Uma coisa que sempre foi difícil pra mim, praticamente impossível era: Sentar a bunda numa cadeira e estudar. Minhas notas sempre foram medianas, meu desempenho escolar mediano. A única vantagem que tinha sobre os outros era o apego à literatura desde pequena. Que me proporcionou uma mente mais aberta, captação mais rápida das coisas a minha volta. Sintoma natural de quem lê frequentemente e é apaixonado por isso. Mas ‘O diário da princesa’ não iria me ajudar em química, e ‘Harry Potter’ muito menos em Geografia.
 Como eu estava sempre com a cara enfiada num livro de estória divertida, as pessoas a minha volta concluíam que eu era uma garota prodígio e tudo mais. Isso somado ao meu comportamento um pouco mais recatado acabou criando uma imagem externa que não me pertencia. As pessoas confundiam meu hábito de leitura com o perfil da pessoa estudiosa. Que eu definitivamente não era.                        



 No fundamental tive muitos problemas pra podar minha “excessividade” criativa. Eu praticamente voava até um universo paralelo e vivia lá durante todas às cinco horas de aula diária. Isso acarretou em uma série de problemas escolares naquela época e no futuro. Eu não conseguia me prender ao mundo real. Era demasiado chato e principalmente cruel. Em português era os tempos verbais, com aquela coisa toda de pretérito mais que perfeito, presente perfeito. Em matemática eram expressões numéricas. Um verdadeiro inferno pra uma mente que só queria voar pra fora dali e viver vidas mais interessantes.



Mesmo com tantos resultados negativos á minha volta, minha mãe sempre acreditou muito na minha capacidade. Sempre me julgou por uma garota inteligente. As pessoas que não acompanhavam minha vida escolar tão de perto me enchiam de mais pompa ainda. Acreditei. Por muito tempo acreditei que tudo seria fácil. Pra que me preocupar naquele momento, vestibular estava tão longe. Eu estudaria no ensino médio. Com certeza que sim.
Ensino médio chegou, e foi um ano catastrófico. Cheguei ao ano de 2010 com tantos planos e metas absurdos. Coisas que me envergonham hoje. Toda garota já deve ter feito planos tão absurdos que não conseguia segui-lo nem por um dia. Era uma vida muito regrada que eu acreditava ser perfeita. Estava com a cabeça cheia de dicas de maquiagem e moda da Capricho e o modelo de vida que eles vendiam era absurdo pra minha realidade. Mas numa mente de 13 anos tudo é possível, o mundo é cor de rosa se você fizer algum esforço.
 Esforço que se mostrou em vão. Meus sonhos de criança foram se diluindo. E deram espaço pra uma mente mais largada e preguiçosa. Que continuavam a acreditar que no próximo mês iniciaria os estudos. Mesmo com a cobrança em casa a vontade de conhecimento nunca veio até mim naquela época.  Frequentava o cursinho desde o 1º ano. Um cursinho muito mal frequentado por sinal, não se fixa matéria nenhuma sem estudo posterior, nem dormindo na sala, ou lendo, ou conversando, ou matando aula. Terceiro ano, e nada mudou. Só o cursinho que foi abandonado. Um namoro surgiu no meio de 2012, não as coisas não se tornaram piores. Era o primeiro namoro, sim. Mas minhas experiências com namoros alheios me deram base suficiente pra saber levar na maior naturalidade possível. Na escola fazia o que era necessário pra passar de ano e só.





Pois bem, finalmente chegamos ao ano de 2013. Deixando os exames que eu fiz pra entrar na faculdade de lado. Eu estava tentando engajar meus estudos, de alguma maneira. Mas todos os materiais de estudo que encontrei eram pouco didáticos e não conseguiam prender minha atenção de alguma maneira. Os estudos que eu fazia acabaram ficando deficientes. O que acabava resultando em frustração. Frustração é o pior sentimento que se pode sentir quando está em fase de estudo. E só com muito esforço eu consegui por fim afasta-lo.



Numa das minhas visitas diárias ao facebook me deparei com uma questão de matemática na minha timeline do cursinho online descomplica. Eu a li e me interessei, até tentei resolver ela de acordo com o ralo conhecimento que eu tinha sobre matemática. Em cima da imagem, na legenda dizia que quem havia assistido a tal vídeo conseguiria fazer a questão. Com link para o vídeo em seguida, eu cliquei redirecionou para o site do cursinho e começou a rodar o vídeo. O vídeo tinha de 3 a 4 minutos. Mas o suficiente pra me fazer entender o máximo que eu conseguia com meu pouco conhecimento matemático que tinha. Foram 4 minutos incríveis por que eu não conseguia desprender o olhar. De repente eu estava gostando de aprender sobre aquilo.
 Eu fui à procura de vídeo sobre outras matérias. Infelizmente, eles só disponibilizavam o primeiro vídeo de cada módulo. O que me deixou com fome de mais e mais. Tentei fazer minha inscrição e pagar o pacote anual de R$100 que podia ser dividido em parcelas de R$9. Mas o site estava com problemas de login. Tava conversando com uma amiga minha pelo bate papo do facebook, que tinha assinado o pacote e na época, é óbvio, eu achei a maior besteira e perca de tempo e dinheiro, mesmo que tão pouco. Ela me emprestou os dados dela pra eu poder acessar e estudar enquanto aquele problema não se resolvia. Isso aconteceu exatamente dia 18 agora. Sexta feira. Estudei sexta até ás 3 horas da manhã e ontem até ás 1. E tirei domingo de descanso como recomendado numa matéria que li sobre programação de estudos.

Mas isso fica para um outro post.



Quero ressaltar que não estou fazendo propaganda de cursinho. Só que eu vejo muitas pessoas com potencial enorme se intitulando fracassadas porque simplesmente não encontrou no estudo o prazer. Sei que soa bastante cedo dizer isso. Mas nesses dois dias que estudei mais de 8horas cada dia, foi divertido e gratificante. Eu achei um jeito de estudar que me trouxe retorno. Não sei se foi como acordar pra vida, mas com certeza fazer uma autoavaliação da minha vida foi decisivo. Quero ingressar na faculdade, mas com muito esforço. Pra dizer que estou lá por que eu corri atrás. E então você se pergunta, ‘Tá, mas o que isso tem a ver com a proposta do blog?’. Posso com certeza dizer que esse blog se mantém pessoal. E eu não consigo manter o foco em outras coisas quando tenho que estar de corpo e alma envolvida em algo que pretendo conquistar com todo meu esforço daqui a seis meses.
Resumindo, durante os próximos seis meses vou focar o blog em metas de estudo. Eu sei que aprovação no vestibular não é um tema que foge tanto da realidade de quem acompanha aqui. Se tratando de garotas tão novas. Mas eu achei legal se nós compartilhássemos isso também. Métodos, frustrações, material de estudo. Só por seis meses galera. Nunca achei um nicho que eu conseguisse falar com tanta paixão. Mas a determinação me trouxe isso. E talvez eu consiga alcançar outro patamar em relação ao blog.
Sei que existem outras garotas mundo afora aí que se identificam com minha história e vice versa. Quando o mundo dos livros cheios de magia, mundos incríveis e romance são tudo. Mas não o suficiente pro mundo real. Que exige de nós mas do que estávamos determinadas a dar. Mas deixa eu dizer que se nós podemos dividir dicas de maquiagem, também podemos decidir o nosso futuro.

Pra quem leu tudo isso, parabéns e obrigada. Não se esquece de comentar. (: 

4 Não calaram a boca:

M. disse...

Eu amei o texto e me encontro na mesma situação. Sempre me intitularam como uma aluna dedicada e inteligente, mas eu só tento tirar notas boas na escola e vivo em um mundo paralelo, só que tudo isso "desmoronou" depois que não passei numa universidade federal, isso me deixou muito frustrada. Talvez não tenha encontrado a melhor maneira de estudo, mas tento me esforçar para que um dia eu consiga alcançar as minhas metas de estudo. http://descobrindomundos.blogspot.com.br/

Raphaele C. disse...

O pior que o sentimento de frustração é ver o desapontamento das pessoas que tanto acreditaram em você. To tentando dar a volta por cima. Força total. (:

Jay Andrade disse...

Own (':

Eu convivi online tão pouco com você e estou tão orgulhosa desse texto! A gente já conversou sobre faculdade e você sabe um pouco sobre a minha história, que é deveras complicada RS.

Acho ótimo que você encontrou prazer nos estudos. Isso aconteceu comigo no cursinho, principalmente com a matemática. Quando a gente tem, pelo menos, paciência vê que nada é tão ruim quanto parece.

Eu entrei aqui porque vi um tweet e pensei se você ainda atualizava o blog, já que os temas do seus posts, na maioria, são temas que não me fazer visitar mais o blog todo dia... Não fazem mais tanto do meu cotidiano. Você está escrevendo bem melhor, isso não posso deixar de te dizer!


PS: Engraçado que uma das minhas ideias pra esse ano era criar um blog "anônimo" sobre vestibular e estudos, hahaa (:

Raphaele C. disse...

Ah, muito obrigada Jay. (: Amadurecer um pouquinho faz bem. Pois é, nem a mim mesma mais agrada escrever sobre aqueles velhos assuntos. Acho que já saturou não é mesmo. Fala sério, a escola acabou. Não dá mais pra ficar pensando nessas coisas. Os estudos estão me interessando mais, não só por que são meu passaporte pra faculdade e para um futuro mais promissor... Mas por que pessoas que detém certos conhecimentos se dão bem melhor na vida. Conhecimento que eu não liguei em adquirir ao longo desses anos de escola.
Eu ia ficar muito feliz se você de fato desse vida a um blog. Ainda tenho dificuldades em arrumar planos de estudos que melhor se adequem a minha realidade, então sempre gosto de ouvir pessoas mais experientes que eu.

Muito obrigada!! (:

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